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Relações Brasil-China: perspectivas de crescimento Em agosto de 2004, Brasil e China comemoraram trinta anos do reatamento de suas relações diplomáticas. Obtivemos avanços notáveis nessas três décadas e alcançamos patamar de interação sem precedentes, que se traduziram em um grande salto no fluxo de comércio, na formalização da parceria estratégica entre os dois países e nas viagens do Presidente Lula a Pequim bem como do Presidente Hu Jintao a Brasília, ambas ocorridas no ano passado. Temos agora pela frente o desafio de aprofundar e incrementar qualitativamente a dimensão política, sócio-cultural e também econômica desse relacionamento. Nos anos 90, conforme a economia chinesa se abria para o mundo, e crescia a um ritmo intenso, foram sendo constatadas as enormes complementaridades entre as duas economias. Desde a acessão da China à OMC, em dezembro de 2001, até o final de 2004, o comércio bilateral cresceu espantosos 183%. Se tomarmos um período mais longo, o resultado é ainda mais eloqüente: entre 1991 e 2001 o comércio Brasil-China cresceu 810%, média de 25% ao ano. Há anos venho acompanhando o esforço de Lucélia Santos de promover a realização deste projeto de minissérie em colaboração com a televisão chinesa. Estou satisfeito de poder verificar que este esforço rendeu bons dividendos. Através de esforço consorciado de várias instituições privadas e públicas, teremos, assim, a oportunidade de agregar valor à relação, testemunhando esta co-produção de uma saga, passada no Brasil e na China, que irá servir de verdadeira ponte cultural entre os dois países. Espero que os audientes chineses tenham a oportunidade de conhecer melhor nossos hábitos alimentares, a qualidade de nossos produtos e serviços e passem a ter assim uma visão mais abrangente das características do Brasil. Confio que tal projeto venha dar impulso à criação de parcerias e de investimentos mútuos, como já acontece no setor de aviação, onde a EMBRAER e a AVIC se uniram para fabricar jatos em território chinês. A BaoSteel, líder mundial na fabricação de aço, que também está ampliando a parceria com a CVRD para a construção de uma usina siderúrgica no Maranhão, a qual exportará aço para todo o mundo. Existem diversos setores com alto grau de complementaridade. Na construção civil existe grande potencial de negócios, devido às grandes necessidades de ampliação da infra-estrutura chinesa e a expertise brasileira no setor. O setor alcooleiro, por constituir uma tecnologia ecologicamente limpa, também representa outra boa oportunidade, devido ao interesse chinês de reduzir suas emissões de carbono. Com isso, abre-se a oportunidade de acesso ao mercado chinês de veículos e autopeças produzidos no Brasil e de desenvolvimento de parcerias destinadas à produção na China de veículos automotores adaptados à utilização da mistura do álcool carburante com a gasolina ou que utilizem alternativa ou simultaneamente gasolina e álcool carburante (Flex Fuel). No setor de alimentos, o Brasil pode vir a ser o virtual garantidor do suprimento de alimentos de qualidade, especialmente soja e seus subprodutos, carnes e sucos, da China. Nesse contexto, creio que esta minissérie terá papel relevante para a crescente conscientização mútua dos ganhos que os dois países podem auferir com essa parceria sino-brasileira. Tudo indica que a melhor estratégia para a aproximação econômico-comercial entre os dois povos é a maior exposição às duas culturas. Desejo sucesso à presente empreitada e que ela contribua para que Brasil e China possam conquistar maior espaço no cenário político-econômico internacional, um espaço à altura de suas economias, de seu tamanho, e de seus povos. |